INFLUÊNCIA DO CRISTIANISMO NA HISTÓRIA

Postado na Categoria AS MINHAS REFLEXÕES por Carlos Cardoso em Quinta-feira 19 Junho 2008 ás 11:41

A influência do cristianismo na história

Ao entrarmos num novo milénio, muitos foram aqueles que fizeram uma avaliação da História e sobretudo dos 2000 anos de influência do Cristianismo nessa mesma História e nos Povos que a fizeram.

É certo que muitos erros foram cometidos, é também certo que em nome de Deus muitas foram as atrocidades realizadas, e que são a vergonha de todos nós. Contra factos não há argumentos.

Mas para sermos justos e, honra a quem honra, o Cristianismo continua a ter uma influência fundamental, nos valores elementares da história dos povos, que a ele aderiram.
Vejamos então:

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O Cristianismo está cheio de valores absolutos tais como:
• Um só Deus (Monoteísmo)
• Um só cônjuge (Monogamia)
• Uma só Verdade (A Bíblia – A Palavra de Deus)
• Um só Caminho (Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os Homens)
• Uma só Fé (Fé na Palavra de Deus)

Poderia estar aqui um tempo “quase infindável”, a mencionar valores que o Cristianismo encerra dentro de si próprio, mas aquilo que eu gostaria de deixar claro, é que o Cristianismo, através do Evangelho, é VIDA para os povos.

Jesus Cristo em Marcos 16 diz-nos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura” . Repare que isto não foi um pedido de “carácter democrático”, não permite “escolhas”. É um imperativo – IR.

Tem sido exactamente isso que tem vindo a acontecer ao longo dos Séculos, da História e da História dos Povos.

O Evangelho é portador de Vida; é uma MENSAGEM TRANSFORMADORA na vida das pessoas, dos povos e das nações.

Victor Hugo, um dos maiores expoentes da literatura francesa, escreveu: “Há um livro que desde a primeira letra até à última é uma emanação superior… um livro que contém toda a sabedoria divina; um livro que a sabedoria dos povos chamou – a Bíblia. Espalhai o Evangelho em cada aldeia, uma Bíblia em cada casa” (o sublinhado é meu).

O Evangelho surgiu no tempo da desintegração do Império Romano, tempo esse em que o Homem passava pela mesma crise de alienação, tal como o conhecemos hoje. As pessoas de então eram também filhos da época, que conheciam todos os problemas e dilemas da vida, e que todavia foram apreendidos por esta VIDA DIVINA que o Evangelho lhe oferecera.

Participando dela descobriram a vitória, face aos problemas que antes os angustiavam e um poder que foi transformando todos os aspectos das suas vidas pessoais e também comunitária, dando a tudo um novo significado e valor.
A experiência dos cristãos era tão profunda como uma nova forma e estilo de vida, que essa “NOVA RELIGIÃO”, embora perseguida por todo o poder do Império Romano, conquistou esse mesmo Império.

Frederich Engels, no seu livro “Über Religion”, na página 265 diz: “O aparecimento do Cristianismo constitui uma fase inteiramente nova da evolução religiosa, a qual implica um dos elementos mais revolucionários da história do espírito humano.”

A INFLUÊNCIA DO EVANGELHO NUMA NOVA PERSPECTIVA DO HOMEM (enquanto ser humano).

O Cristianismo proclamou realmente pela primeira vez como princípio, que o Homem pela sua natureza, não é escravo de ninguém. Não nos esqueçamos que para os maiores espíritos da Grécia, tais como Platão e Aristóteles, o escravo não passava de um objecto.

Entre finais do século III e princípios do IV, com a grande expansão do cristianismo (o seu número era calculado em cerca de 5 a 10% da população do Império) e dos seus valores, houve transformações fundamentais para a sociedade de então, tais como:

• A abolição da crucificação como pena de morte
• Repressão ao infanticídio, sacrifício de crianças aos deuses pagãos
• Proibição dos jogos de gladiadores que eram violentos, até à morte de um deles
• Uma nova relação no tratamento dos escravos

Num fragmento de papiro da Apologia de Aristides recentemente encontrado afirma-se: “Os senhores cristãos persuadem os escravos a tornarem-se cristãos… e quando eles o fazem chamam-lhes irmãos, sem qualquer discriminação dado a sua unidade numa mesma comunidade”.

Tertuliano na sua obra “Apologética”, diz-nos: “O tratamento de ‘irmão’ ou ‘irmã’ exprime as novas relações entre ricos e pobres, senhores e escravos que vão até ao pôr em comum os recursos e o sustento de todos aqueles que se encontram momentaneamente ou definitivamente associados”.

Roger Garaudy, intelectual francês e ex-membro do Partido Comunista Francês, no seu livro “Cristianismo e Marxismo no Mundo de Hoje”, reconhece com lealdade o contributo decisivo que o Cristianismo prestou para a humanização do homem.

A CONDIÇÃO DA MULHER

Uma das novidades do Evangelho era a de ensinar a igualdade do homem e da mulher, a grandeza da virgindade, a dignidade e a indissolubilidade do matrimónio. O Evangelho associa prática religiosa e pureza de costumes. Estes valores opunham-se às ideias recebidas do mundo de então, assim como da moral pagã.
Sob o império, a jovem era prometida em casamento quando ainda brincava com bonecas. Os casamentos eram arranjados por terceiros ou agências especializadas. Concluída sem atracção mútua, a união era vivida sem dignidade. A fidelidade conjugal era desprezada: espectáculos, termas e festins favoreciam encontros sem futuro.

A evangelização da mulher transforma profundamente a sociedade antiga. O cristianismo traz à mulher a dignidade de uma existência desprezada pelo paganismo; ensina com insistência a sua igualdade com o homem.

Algumas seitas na época interditaram à mulher a sua função maternal. Os gnósticos chegaram ao ponto de apresentar o matrimónio como uma prostituição.

FALEMOS DE ABORTO

Simultaneamente à dignidade da mulher, o cristianismo exige respeito pela vida, numa época em que o aborto é moeda corrente em todas as classes sociais, quer no Egipto quer em Roma.

O aborto estava também ligado a práticas de magia, a ritos religiosos e a superstições. Aristóteles defendia: “Deve haver um limite fixo para a procriação dos filhos; e se alguém tiver um filho em contravenção com estas normas deve praticar um aborto, antes que o embrião tenha a sensação de vida”. Esse limite da sensação de vida era fixado em 40 dias para os fetos masculinos e 80 dias para os femininos.

Desta forma, o aborto (que juntamente com o infanticídio de recém-nascidos, débeis ou tarados, e o abandono ou exposição de crianças não desejadas), era frequente na Grécia.

J. M. Nazareth, num trabalho seu – “Explosão Demográfica e Planeamento Familiar” – diz que o aborto era autorizado e prática corrente no mundo da prostituição da Grécia.

Com o aparecimento do cristianismo, o aborto passou a ser contestado por razões de ordem moral e em oposição a factores políticos. No final do século II, Tertuliano criticava todo o tipo de infanticídio que, como já vimos, era corrente entre pagãos e lembrava que isso era proibido aos cristãos, assim como a destruição de um feto que é “um homem que está a caminho de sê-lo”.

Muito mais teria para dizer, mas vou terminar com um pensamento de Martin Luther King: “Os pregadores da moda fazem sermões consoladores sobre temas do género, “como ser feliz” ou “Como nos descontraímos”. Alguns foram tentados a emendar o mandamento de Jesus deste modo: ide por toda a parte, conservai baixa a vossa tensão arterial e farei de vós pessoas adaptadas”. Tudo isto nos mostra que é meia-noite interior na vida dos homens e das mulheres



3 Comentários »

  1. Comentário por Leandro — 10 de Dezembro de 2008 @ 12:50

    Parabéns pelo post. Repleto da verdade. Maravilhoso.

  2. Pingback por indissolubilidade.net - blog.Carlitos » INFLUÊNCIA DO CRISTIANISMO NA HISTÓRIA — 21 de Janeiro de 2009 @ 17:07

    [...] O Evangelho associa prática religiosa e pureza de costumes. … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]

  3. Comentário por bernardo — 20 de Fevereiro de 2009 @ 14:02

    achei deveras interessante e muito explícito.

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