A SIMPLIFICAÇÃO DA VIDA (Thomas Kelly)

Postado na Categoria AS MINHAS LEITURAS por Carlos Cardoso em Quinta-feira 18 Setembro 2008 ás 10:40

Desejo ser drástico e impiedoso em desmascarar qualquer fingimento na questão da devoção e singeleza de amor a Deus. Mas devo confessar que não leva tempo, nem complica seu programa. Tenho descoberto que uma vida de sussurros de adoração, de louvor e de oração pode permear o dia. É possível ter um dia muito cheio, no sentido exterior, e mesmo assim estar continuamente na santa Presença. Precisamos, isto sim, de uma tranquila meia hora ou hora de leitura e reflexão. Mas podemos levar os silêncios recriadores dentro de nós, quase o tempo todo. Com alegria leio o irmão Lourenço (irmão leigo francês do século XVII), na sua Prática da Presença de Deus. No final da quarta conversação, diz-se dele: “Nunca estava apressado, nem ocioso, mas fazia tudo em seu tempo, com uma serenidade ininterrupta e espírito tranquilo”. “A hora de negócios”, diz ele, “para mim não difere da hora de oração, e no barulho e tinido de minha cozinha, com várias pessoas pedindo coisas ao mesmo tempo, possuo a Deus com a mesma tranquilidade como se estivesse ajoelhado recebendo o sacramento”. A verdadeira razão de não recolhermo-nos, não centrarmo-nos, não é a falta de tempo; em muitos de nós, ao que me parece, é a falta de um prazer entusiasta n’Ele, de um profundo amor dirigido a Ele em todo o momento do dia e da noite.caminhando com Deus

Deve ficar claro que estou a falar de um estilo revolucionário de viver. A religião não é algo que acrescentamos a nossas outras tarefas, assim tornado ainda mais complexas as nossas vidas. A vida com Deus é o centro da vida, e tudo o mais é remoldado e integrado de acordo. É isso que dá a singeleza de visão. O mais importante não é estar sempre passando copos de água fria para um mundo sedento. É possível estarmos tão ocupados tentando cumprir o segundo grande mandamento, “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, que ficamos subdesenvolvidos na nossa devoção a Deus. Mas, temos que amar a Deus tanto quanto ao próximo. Estas coisas deveríamos ter feito sem deixar a outra pela metade.

Há um estilo de vida tão oculto com Cristo em Deus que, no meio dos afazeres do dia, podemos elevar interiormente breves orações, ejaculações de louvor, sussurros de adoração e amor ao Além que está dentro de nós. Ninguém precisa saber. É possível viver num estado quase contínuo de oração silenciosa, orações com respeito a Deus ou com respeito a pessoas e empreendimentos que estão no nosso coração. Nada de pressa; é uma vida indizível e cheia de glória, um mundo interior cheio de esplendor no qual, embora indignos, podemos viver. Alguns de vocês o conhecem e vivem nele; outros ardentemente o desejam; pode ser seu.

Deste Centro santo vem os encargos da vida. Nossa comunhão com Deus desemboca numa preocupação mundial. Não podemos guardar o amor de Deus para nós mesmos. Transborda, nos aviva, nos faz ver novamente as necessidades do mundo. Amamos as pessoas e ficamos aflitos de vê-las cegas quando poderiam ver; adormecidas com todos os confortos do mundo quando deveriam estar acordadas e vivendo sacrificialmente; aceitando os bens do mundo como seu direito quando, na realidade, lhes foram apenas confiados temporariamente. A maior necessidade dos homens não é comida e roupa e abrigo, embora todas estas coisas sejam importantes. É Deus. Equivocamo-nos quanto à natureza da pobreza, achando que era económica. Não, é pobreza da alma, é a privação da paz recreadora de Deus. Nossos esquemas de salvação económica não atingem as necessidades mais profundas. São importantes, mas constituem em segundo passo é uma vida santa, transformada e radiante de glória de Deus.



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