Há muita gente que vai regularmente à igreja, assiste a cultos especiais, lê livros e escuta cassetes de ensino. E embora tenham visto bastante, tenham ouvido muito e saibam imenso, não tentam fazer nada com o conhecimento que adquiriram. Para elas cada nova mensagem mais não é, do que um exercício intelectual para satisfazer a sua curiosidade de mais informação.
Por mais profunda e especial que esta informação possa ser, ela não torna a pessoa mais profunda ou mais espiritual. Só quando esses factos forem aplicados e forem colocados como base de vivência é que podem manifestar algum poder espiritual.
É por isso que Tiago nos recomendou: “Sede praticantes da Palavra…” Toda a ideia do versículo é: “Não escutem a Palavra apenas por causa da curiosidade intelectual. Procurem antes esforçar-se para que ela resulte na vossa vida, depois de a terem escutado”. Na realidade, Tiago usa a palavra “praticamente” que provém do grego “poietes”, vocábulo que deu o nosso “poeta”.
Portanto a palavra “poietes” (praticamente) carrega em si um sentido de capacidade criativa, como um poeta que tem uma chama criativa dentro de si.
Utilizando esta palavra, Tiago está a dizer-nos que devemos encontrar “formas criativas de praticar” a Palavra que nos foi pregada ou ensinada. Se não conseguirmos prontamente pensar numa forma prática de “praticar” a Palavra, então temos de ser criativos e descobrir uma forma de “praticar” a palavra.
Se, contudo, recebemos a Palavra só por causa do conhecimento ou da curiosidade intelectual, então somos enganados. É por isso que Tiago continua a dizer: Sede praticantes da Palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos…”
A maturidade espiritual não pode ser medida pelo número de cultos a que assistimos, pelo número de pregadores que escutamos ou pela porção de conhecimento bíblico que possuímos.
Tiago diz-nos que se nos julgarmos apenas pelo que ouvimos e sabemos, então estamos a “enganar-nos” a nós mesmos. A palavra “enganar” provém do vocábulo grego “paralogidzomai“.
A ideia de “paralogidzomai” é “erro de cálculo”. Foi primeiro usado para ilustrar um bibliotecário que comparou documentos e depois de fazer essas comparações, retirou algumas conclusões sobre os documentos que estavam errados. A sua avaliação era sincera mas estava errada. “Errou, falhou” e produziu uma “decisão falaciosa”. Como Tiago usa esta palavra neste contexto, diz-nos que algumas pessoas “equivocam-se, enganam-se“sobre o que realmente é “praticar” a Palavra.
Algumas enganam-se a si próprias, pensando erradamente que ouvir é o equivalente de praticar. Aparecendo, por exemplo, num culto de Domingo para ouvir a pregação da Palavra de Deus, pensam que “praticam” a sua responsabilidade sem mal. Mas Tiago diz: “O vosso raciocínio está cheio de falácia. A vossa responsabilidade começa, só depois de terem ouvido a Palavra”.
A Palavra nunca foi produzida, com a intenção de ser um jogo intelectual para satisfazer a nossa necessidade de informação, conhecimento ou curiosidade. Esse é o síndroma de “comichão nos ouvidos” que eventualmente abre a porta ao engano de espíritos enganadores, e doutrinas de demónios.
Paulo claramente previu este problema, quando escreveu: “Porque o tempo virá em que não suportarão a sã doutrina; mas tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (II Timóteo 4:3-4).
Fonte: ” Os Vendilhóes da Unção ” por Rick Renner
(grifos do editor)